GOTEX 2026: novos materiais, novas cores e os caminhos da indústria têxtil
Da expansão dos materiais reciclados às conexões cada vez maiores com a Ásia, reunimos alguns dos movimentos que mais chamaram nossa atenção na GOTEX Show 2026.

Em setembro, estivemos na GOTEX Show 2026, em São Paulo, para acompanhar de perto materiais, fornecedores e tecnologias que estão ajudando a desenhar os próximos anos da indústria têxtil.

Para uma marca como a CERRO, que nasceu colocando matéria, funcionalidade e design no centro do produto, estar próximo dessas transformações faz parte do processo.

Mas algumas coisas vistas na feira vão muito além de uma marca ou de uma coleção.

Elas mostram uma indústria inteira em transformação.

RECICLADO DEIXA DE SER EXCEÇÃO

Talvez um dos movimentos mais importantes seja a evolução dos materiais reciclados e das estratégias de circularidade. E existe uma razão para isso:

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a indústria têxtil responde por aproximadamente 2% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Na Europa, aproximadamente 80% do impacto climático dos produtos têxteis acontece ainda durante a etapa de produção. Ou seja: matéria-prima e fabricação têm um peso enorme antes mesmo de uma peça chegar ao consumidor.

Por isso, substituir matérias-primas virgens, aumentar a vida útil dos produtos e desenvolver cadeias de reciclagem passou a ser parte importante da discussão.

O desafio ainda é enorme. A circularidade do setor permanece baixa e misturas de diferentes fibras, importantes para alcançar elasticidade, conforto e performance; também tornam a reciclagem mais complexa.

Um dado ajuda a colocar a dimensão do problema em perspectiva: em 2025, as matérias-primas acompanhadas pelo Textile Exchange foram associadas a aproximadamente 325 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, cerca de 30% acima de 2019. O poliéster respondeu por aproximadamente 43% dessas emissões, predominantemente devido ao poliéster virgem de origem fóssil.

Isso explica por que poliéster reciclado, novas fibras e processos de menor impacto estão deixando de ocupar apenas um nicho “sustentável”.

Eles começam a fazer parte da engenharia do produto.

2027 TEM MAIS COR

Outro movimento impossível de ignorar é a mudança da paleta.

Depois de temporadas dominadas por neutros e pela estética extremamente contida, as projeções para Primavera/Verão 2027 mostram uma recuperação de cores mais expressivas.

A Première Vision - uma das principais referências globais para antecipação de tendências têxteis, descreve a temporada SS27 como um encontro entre energia e suavidade, com maior vitalidade cromática.

Entre os destaques aparecem verdes vivos e orgânicos, amarelos luminosos, rosas, vermelhos intensos e, ao mesmo tempo, novos neutros terrosos.

O Biotic Green representa esse encontro entre natureza e energia. O Yellow Foam traz luminosidade. Marrons mais próximos do taupe aparecem como novos neutros. E rosas e vermelhos voltam com intensidade.

Nas passarelas mais recentes, o movimento já começa a aparecer: o azul-cobalto, por exemplo, ganhou presença relevante nas coleções entre o final de 2026 e o início de 2027.

Não significa o desaparecimento do preto, branco, areia, cinza ou dos tons naturais.

Significa que a cor volta a assumir uma função mais emocional no produto.

E isso é especialmente interessante no sportswear, onde materiais técnicos, superfícies foscas, transparências, perfurações e construções diferentes conseguem mudar completamente a percepção de uma mesma cor.

A ÁSIA ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMA

A GOTEX também deixa muito evidente outra característica da indústria contemporânea: moda e tecnologia têxtil são hoje uma cadeia verdadeiramente global.

A edição de 2026 reuniu 214 expositores, incluindo empresas de China, Índia, Coreia e outros mercados internacionais, além de fornecedores brasileiros. Entre eles estavam empresas especializadas em moda fitness e tecidos de alta performance.

A própria estrutura da feira coloca importadores, confeccionistas, compradores e fabricantes internacionais no mesmo ambiente e oferece inclusive espaço específico para negociação e suporte de comércio exterior.

E a relevância asiática não é apenas uma percepção de feira. Isso abre uma discussão mais interessante do que simplesmente "produto nacional versus importado".

O que começa a fazer mais sentido é pensar em cadeias complementares.

Desenvolvimento e modelagem próximos da marca. Produção local quando ela oferece velocidade e controle. E parcerias internacionais quando permitem acessar materiais, tecnologias ou processos ainda difíceis de encontrar no mercado nacional.

Não se trata apenas de importar. Trata-se de construir uma cadeia melhor.

O QUE FICA DA GOTEX 2026

A impressão depois da feira é de uma indústria em movimento com materiais reciclados que avançam enquanto o setor tenta reduzir um impacto ambiental ainda enorme.

A tecnologia entra cada vez mais na própria construção das fibras e tecidos.

As cores recuperam energia para 2027.

E as fronteiras entre fornecedores brasileiros, asiáticos e internacionais ficam menores.

Para a CERRO, acompanhar esse movimento significa continuar fazendo perguntas.

Qual material pode ser melhor?
Qual processo pode evoluir?
O que realmente melhora a experiência de quem veste?

Porque antes de uma peça existir, existe uma matéria. E antes de escolher a matéria, existe uma intenção.

 

#FindYourCerro

 

REFERÊNCIAS
GOTEX Show - GOTEX Show 2026 / Expositores
UN Environment Programme - Minimizing Fashion's Environmental Footprint
European Environment Agency - Textiles and the Environment
Textile Exchange - Materials Benchmark 2026
Première Vision - Key Colors for Spring–Summer 2027
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços - Resultados do Comércio Exterior Brasileiro